Estás a mais quando o mundo não te pertence.
Estás a mais quando o sorriso não é para ti.
Estás a mais quando te lembras que a pele é distante.
Estás a mais quando és apenas rascunho.
Estás a mais quando esta história não é (a) tua.
Estás a mais por sentires que não pertences a nenhum dos contos.
Pois um já está escrito (há muito) e terá o final de que os filmes não abdicam.
E o outro está no início e só por vontade suprema passará das primeiras páginas.
Porque o herói é de outra história, de outro livro, de (um) outro filme.
E tu queres ser a protagonista e és papel secundário.
Queres ser rainha e não passas de princesa.
Queres ser inteira e és só metade.
Depois do “Era uma vez…” não entras mais.
Mas sempre te disseram que não há papéis pequenos, apenas pequenos actores.
E tu tens a estranha mania de acreditar no que ouves.
Então sentas-te na primeira fila, e esperas por uma qualquer fala que surja no ecrã, te tire a respiração e te devolva as certezas.
Agarras-te então a esta peça, que sabes não ser tua, e pensas reescrevê-la a partir da deixa certa, dita no segundo perfeito.
Arriscas pegar no lápis, no livro em branco, e ser directora dos (teus) conteúdos.
Juntas os cenários, as sensações, as músicas, os jeitos de ser, e fazes ser luz.
Se o filme não esgotar as bilheteiras, regressarás aos bastidores, que adoptarás como lugar, com uma resignação que nunca antes coube em ti.
Mas se esgotar… Ah, se esgotar… Ninguém te tirará o “ponto final” cliché de todas as histórias infantis que ouvimos em pequenos.
E nessa altura (só nessa altura), o tal do "para sempre" nunca te parecerá tão curto como então.
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