Ela não contava
que ele não soubesse o que era uma oitava, e ele não contava que ela não
gostasse de saltar dunas na calada da noite. Ainda assim, tontos de si, imbecis
de ideias e de vendas nos olhos, arriscaram ver o que se passava mais à frente,
sempre na expectativa do desmoronar óbvio que se adivinhava desde o início.
Cada dia era o escolhido para o final, para o virar de costas, para o adeus com
o desapego próprio do que nunca existiu. No entanto, cada dia, e ao fazer o balanço
próprio dos minutos de pausa, constatavam que a tarefa tinha sido
lamentavelmente, desgraçadamente e vergonhosamente falhada. Mais uma vez, ainda
não era altura do "vou ali e não volto". Os dias passaram. Os meses e
os anos e a vida com eles. E hoje, ele ainda não sabe o que é uma oitava e ela
ainda não gosta de saltar dunas na calada da noite. Continuam à espera do dia
do suspirar de alívio e do confirmar das suspeitas que se assomavam desde o
primeiro momento, só para puderem afirmar de nariz empinado e dedo em riste:
"Nós sabíamos!". Mas até lá, tencionam continuar a ser estupidamente
felizes, praguejando alto pela sua incapacidade de darem cabo de tudo. Parece
que o que não está talhado para ser custa muito mais a partir do que tudo o que
nasce já com as arestas limadas. O que vale é que são ambos de uma teimosia
atroz, e não há um dia em que ao acordar não se olhem com o embevecimento que
carrega quem gosta com "A" grande, se abracem com a pele inteira,
sorriam um para o outro, e pensem em voz alta e decidida: "Amor, é
hoje".
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