sexta-feira, 25 de abril de 2014

Carta ao São (em Primavera tardia)

Querido São Pedro,

Sabes que eu sempre gostei de ti, e que temos passado bons momentos juntos. Lembras-te daquela tarde na Fonte da Telha, em que estava um vento estúpido e em que tu, para que eu deixasse de levar com areia na boca, acabaste com ele? E quando trovejou como se o mundo fosse acabar, e eu tinha de ir para casa e só pensava que um raio me ía cair mesmo ali? Que fizeste tu? Pimbas. Um gesto, e a trovoada passou. Lembras-te das noites estreladas de Verão e das tardadas de Primavera a passear no parque? 32 graus e uma brisa suave... Mas São (somos amigos e sei que te posso tratar assim), ultimamente, não te andas a portar bem. Ele é calor abrasador em Março, ele é chuvadas e frio em Abril, uma pessoa já sai de casa de galochas e t-shirt, para estar preparada para tudo. Não gosto de não saber com o que contar. Pois que se é Inverno, saio agasalhada de casa, pois que se é Verão saio levezinha de chinelo no pé. Mas isto, São?!! Isto é esquizofrénico... Pois que há umas horas atrás estava eu numa esplanada a apanhar sol, passo às praias e já se vê gente estendida, famílias que trazem finalmente as crianças pálidas à rua, e toda a gente feliz, e hoje é isto?!! Hoje saio de casa e lá fora, é o dilúvio?!!! Quase que juro que vi Noé na A5, a tentar salvar a bicharada toda. Isto assim complica-me os nervos. A sério. Eu sei que andas stressado com uma série de coisas (ele é os subsídios, ele é o estado do país, ele é o Pingo Doce...), mas tenta lá superar isso, que o povo não tem culpa. Vá lá... Dou-te até ao final desta semana para corrigires a asneirada que andas a fazer. Se conseguires, amigos como dantes. Se não, vou avançar com uma petição para passar o pelouro do tempo para outro Santo. Quiçá o António, que sempre me pareceu um rapaz que gosta de dar o seu mergulhinho ali nas Avencas e apanhar um solzinho. Não te chateies comigo. Se não sou eu a dizer-te isto, que sou tua amiga, quem será?! Os outros pensam o mesmo, mas só falam nas tuas costas. Os cafagestes. Sabes que te adoro. Mas atina lá, ok? 


Beijinho grande, sempre tua,
Marta.


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