Somos seres com pele, osso e sangue. Seres com coração, alma e sentir. Deixamo-nos cair por amor, ao amar sem querer quem surge em nós. A vida começa lado a lado, os caminhos convergem para o mesmo sítio, as noites são mais claras. Traçam-se planos, traçam-se futuros que não existem. Acredita-se que qual escada rolante, sem se ter de fazer muito se chegará ao destino prometido. Basta decidir subir. E o resto a vida encarrega-se de fazer. E passado uns tempos, descobre-se que isto não existe. O facilitismo não existe no sentimento maior. A existir, o que me apraz pensar é que seria batota. Seria batota tentar chegar ao cimo sem passar pelas várias etapas. Seria como jogar Monopólio, e não cair pelo menos uma vez na cadeia, ou ter de pagar porque o terreno de alguém nos afundou ao passarmos. Mudam-se os anos, mudam-se as prioridades. Consolidam-se as vontades, alicerçam-se os quereres. Como é possível chegar ao fim do jogo sem alterar a forma como se lançam os dados? Sem alterar a forma como movemos o nosso peão? Se formos sempre pelo mesmo sítio, às tantas andamos às voltas. Se não quisermos terminar o jogo, é de facto a táctica eficaz e (quase) infalível. Se apenas quisermos passar um bom momento, rirmos q.b., termos as sensações passageiras de um prazer efémero, de promessas que ficam no copo de vinho e no cigarro apagado. Andamos em circulos, não há como cair fora. É seguro, nunca corremos o risco de ter de pagar por aquilo que nunca adquirimos. E de percebermos que não o comprámos porque no fundo não queriamos que fosse nosso. É como que um aluguer sempre com um prazo de validade, mas com a desculpa de que pode ser para sempre. Assim não vale. É batota. Lamento. Não é correcto. O aluguer aumenta, e temos de decidir ficar ou mudar. E se os tempos mudam e as vontades se aguçam as prioridades têm (obrigatoriamente) de mudar. Não queremos a meio do jogo o que queríamos no princípio. Queremos comprar terrenos e meter hotéis e de vez em quando (até) ganhar. Senão, mais vale deixarmos o Monopólio e jogarmos à sueca. Que é a quatro, mete cumplicidade disfarçada, várias mãos e um tempo limitado. Não tem nada que saber. Tão rápido como começa pode terminar. Seja pelos outros, seja por nós. Jogamos o que temos, e a mais não somos obrigados.
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